Responsabilidade: adjetivo que designa aquele q se desincumbe fielmente dos deveres e encargos q lhe são conferidos.
Além dessa responsabilidade, existe aquela que é conquistada pelo amadurecimento psicológico. Muitas vezes, a responsabilidade que se torna atributo do caráter moral do indivíduo, faz-se grave impecilho à sua evolução.
Explico.
Graças à conceituação de responsabilidade, criminosos de guerra e servidores rudes buscam passar a imagem de inocência ante a crueldade q aplicaram, informando q cumpriam ordens na desincumbência das infelizes tarefas a que estavam sujeitos.
Outos, responsáveis por massacres cruéis e atitudes agressivas, refugiam-se na transferência de responsabilidade, elucidando q deveriam agir conforme o fizeram, ou sofreriam as consequências da desobediência.
Nas instituições militares, a responsabilidade cega o indivíduo, de modo a obedecer sem raciocinar e a cumprir ordens sem discuti-las ou justificá-las. Diz-se que, aqueles q se lhes submetem, tornam-se pessoas responsáveis.
Dessa forma, seria inculpado, porque responsável, zeloso pelas suas funções e deveres, Pilatos, que condenou Jesus à morte, embora O soubesse incocente. Posto em cheque pela astúcia dos doutores judeus, de que Jesus dizia-se rei e ele representava o imperador, que era o seu rei, não O crucificar seria crime de traição em relação ao seu representado. Assim, irresponsavelmente, manda crucificar o Justo, lavando as mãos para livrar-se da culpa.
Da mesma forma agem os soldados de guerra, policiais civis e militares, servidores públicos e nós outros também.
A responsabilidade, para ser verdadeira, não pode compactuar com a deliquência, nem ignorar os mínimos deveres de respeito para com a vida e para com as demais criaturas.
A responsabilidade que resulta do amadurecimento psicológico, e que é adquirida pela vivência das experiências humanas, harmoniza o dever com a compreensão das necessidades dos outros, conciliando o cumprimento das atividades com as circunstâncias nas quais se apresentam.
Nesse sentido, a visão do ser imortal contribui grandemente para entender a responsabilidade que se tem no mundo, pq é deferida desde o Mais Alto, como redarguiu Jesus ao seu inquisidor, que a tinha, porque lhe fora dada... e poderia perdê-la, qual ocorreu pouco depois, ao ser destituído da função, e mais tarde, qdo despojado do corpo pela morte.
Para a aquisição da responsabilidade consciente os valores eternos do espírito são indispensáveis, de modo a serem absorvidos e vivenciados, ultrapassando os limites das determinações humanas de horizontes estreitos e curtos.
Considerando-se a existência física como sendo um breve período de aprendizagem, na larga faixa das sucessivas reencarnações, o ser adiciona ao conceito da responsabilidade os contributos do amor, dessa forma identificando os melhores meios p/ agir, qdo pode e deve - com consciência - não se precipitando a tomar decisão, quando deve, mas não pode, ou quando pode, mas não deve - responsabilidade insconsciente.
(Por Joana de Ângelis em Autodescobrimento - uma busca interior)
Minha interpretação: Há poucos dias, vemos na tv, um coronel ser absolvido da responsabilidade pela morte de centenas de presos no Carandiru. Os desembargadores q o incocentaram, basearam-se na argumentação de que agira no estrito cumprimento das responsabilidades que seu cargo lhe conferia. Certo. E as vidas que se foram por conta disso? E as famílias - mães, filhos - que ficaram sofrendo a morte de entes queridos?
Esta não foi a primeira vez em que uma autoridade foi absolvida de um crime por entender-se que agia no cumprimento de seus deveres.
No direito, há um princípio muito discutido hoje em dia, chamado Princípio da Equidade. Através deste, funcionários públicos, juízes e militares deveriam levar em consideração na execução de suas tarefas, a justiça, as circuntâncias e os valores morais que regem uma sociedade. É justo absolver alguém que foi responsável pela morte de centenas de pessoas, mesmo agindo no cumprimento de seus deveres, se ele poderia agir de outra forma, com autoridade sim, mas com proporcionalidade e justiça? Está de acordo com a moral inocentar alguém assim? Se assim o fosse, estaríamos implantando o reino da iniquidade e injustiça. Todos na administração pública poderiam cometer atos arbitrários, respaldados pelos deveres do cargo.
Mas, graças a Deus, o próprio Direito, apesar das deficiências que ainda tem, previu situações como estas e tratou logo de criar o princípio em questão. Princípio ainda muito tímido, pouco conhecido, mas que gradualmente vai conscientizar autoridades e subordinados.
Enquanto isso, que cada um de nós, também no exercício de nossos deveres, saibamos conciliar a responsabilidade com as circunstâncias, com os valores morais e com a justiça, lembrando sempre Daquele que foi crucificado por um ato "responsável", mas nos deixou seu exemplo para ser vivenciado.

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