quarta-feira, junho 28, 2006

Exploração de Imigrantes!!!!!!

Por trás da roupa barata e SEMPRE em dia com a moda, há um preço quenão se divide em 8 vezes no cartão. Há um preço impagável.
Vejam isso, pessoal:
23/06/2006
Prazer em... explorar imigrantes
Lojas C&A vendem roupas produzidas sob condições degradantes, emmalharias clandestinas de São PauloMarques Casarade São Paulo (SP)Na sala de um apartamento residencial na região central de São Paulo,Ramón empurra sua caixa de brinquedos por entre máquinas industriais,bancadas, ferramentas e montes de roupas que esperam para sercosturadas. Outras 12 pessoas ocupam o espaço. Com a fiação elétricaexposta, o risco de incêndio é permanente. As janelas estão lacradas.O barulho das máquinas pode denunciar a oficina clandestina e trazer apolícia. Faz um calor infernal, o ar está pesado no ambiente semventilação.Sentada há mais de 16 horas diante da máquina de costura, a mãe de Ramón tem pressa.
Maria Diaz costura uma peça de roupa atrás da outra,intensamente. Ela tem uma agenda para cumprir. Só pára quando precisacomer ou ir ao banheiro. A mãe do pequeno Ramón é uma mulher exausta.Desde que chegou ao Brasil, em 2003, trabalha do amanhecer até tardeda noite. Não tem carteira assinada, equipamento de proteção,assistência médica. Ela não existe nos registros de imigração.Oficialmente, o governo brasileiro não sabe de sua presença. Tampoucosua saída da Bolívia, em 2003, foi registrada pelo governo daquelepaís. Maria foi trazida para São Paulo por intermediários conhecidoscomo "coiotes", que ganham dinheiro contrabandeando gente de um paíspara outro. Em São Paulo, pelo menos 100 mil bolivianos estão nessasituação.Maria Diaz faz parte de um grupo de dezenas de milhares de imigrantesque vivem em São Paulo anonimamente, sob o risco da extradição,vítimas do preconceito e sem nenhum tipo de garantia social outrabalhista. Ela não pode se dar ao luxo de expor sua imagem.Os imigrantes são explorados por uma indústria bilionária etransnacional.
Na ponta dessa cadeia produtiva clandestina e precáriaestá uma das mais tradicionais e conhecidas redes de lojas do mundo: ogrupo C&A. As lojas C&A vendem roupas costuradas por pessoas forçadasa atuar à margem da lei, gente que não tem respeitados sequer osdireitos fundamentais da pessoa humana.A C&A sabe do problema há pelo menos um ano. Mesmo assim, continua sebeneficiando, por intermédio de dezenas de malharias, de umamão-de-obra extremamente precarizada. O importante é que as roupascheguem ao consumidor de forma rápida e barata. Os imigrantes? Nem existem oficialmente. Não podem sequer reclamar, pois do contrárioserão presos e podem até ser deportados.
TEMPOS MODERNOS
Com vendas que chegaram, em 2005, a 5,2 bilhões de euros na Europa, aC&A registrou, segundo apuração da agência Bloomberg, um lucro de maisde 500 milhões de euros.Reportagem do jornal Valor Econômico, de São Paulo, mostra que aslojas da empresa no Brasil estão entre as mais rentáveis operações daC&A em todo o mundo, "se não forem as maiores".
Fundada na Holanda em 1841, a rede chegou ao Brasil em 1976 e tem 113 unidades no país. De acordo com pesquisa do banco Credit Suisse feita em março, os preços da C&A costumam ser, em média, entre 10% e 15% mais baixos do que os da Renner, uma de suas principais concorrentes.Os preços desta, por sua vez, são 50% a 60% mais baratos do que os da Zara, empresa espanhola que também atua no Brasil.Qual o segredo da C&A? Uma de suas principais armas é o preço. A empresa adota uma estratégia que alia preços baixos a um marketing de alto impacto. Não mede custos para divulgar a marca. Entre suas garotas-propaganda está uma das modelos mais caras mundo, a brasileira Gisele Bündchen.
O pequeno Ramón, que empurra sua caixa de brinquedos na oficina caótica e abafada, não tem a mínima idéia do que sua mãe faz durante mais de 16 horas por dia à frente daquele monstro barulhento. Sua própria vida tem sido um tanto confusa. Aos cinco anos de idade, veio para o Brasil em um ônibus lotado de imigrantes irregulares que deixaram para trás, no interior da Bolívia, a fome, a miséria e o desemprego. Chegaram a São Paulo cheio de dívidas com seus contratantes, em busca de trabalho e de uma vida melhor. Por isso, para fugir da fome, sua mãe consome o tempo na máquina onde costuraroupas para a C&A. Todo tipo de roupa: blusas, casacos, calças. Ganha R$ 0,20 por cada peça costurada. Por isso ela tem pressa. Precisa trabalhar muito para apurar algum dinheiro e atender à intensa demandade seus contratantes.Afinal, a C&A está entre as lojas que mais vendem roupas no país.
O processo funciona da seguinte maneira: a C&A precisa costurar suasroupas. Para isso, contrata malharias legalmente instaladas em SãoPaulo. Estas malharias, por sua vez, repassam o trabalho para oficinasclandestinas. Com isso, as roupas vendidas pela C&A entram num círculovicioso de trabalho precário e ilegalidade.
(Esta reportagem faz parte de um caderno especial sobre precarizaçãono trabalho, publicado pelo Instituto Observatório Social,www.observatoriosocial.org.br; colaborou João Paulo Veiga)

Um comentário:

Anônimo disse...

Prisoca! Que tema espinhoso esse. Não sabia sobre a C&A, mas, sabia sobre o trabalho escravo em confecções espalhadas por toda a São Paulo, que exploram tanto imigrantes ilegais da Bolivia como da Coréia. Muitas roupas vendidas nas lojas de coreanos são produzidas por meio de trabalho escravo. ô raiva q eu tenho deles. E de todos que fazem vista grossa. O quanto eu posso eu evito comprar nessas lojas. Pelo menos o meu dinheiro não financia esses escravocratas. Agora vou evitar tb a C&A.
O Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal tinham de ser mais atuantes pra evitar tais coisas. Aff! Trabalho escravo é algo q me revolta.
Valéria