terça-feira, setembro 26, 2006

Algumas palavras sobre a fé...

Onde estava Deus?

Essa frase foi pronunciada pelo Papa Bento XVI, ao referir-se ao Holocausto que matou milhões de pessoas. Ele perguntou então, em discurso ouvido por milhares de pessoas no mundo todo, onde estaria Deus para permitir tal barbárie.

Desde tempos remotos a Igreja tem imposto um modelo de fé irracional. O ser humano não pensa. Simplesmente nos falaram que somos filhos de Deus, que Ele é o criador de todas as coisas, bom, justo e, por isso, devemos ter fé. Mas será esse conceito suficiente para construir a fé dentro de nós? Porque fé, não é algo q se adquire da noite para o dia, assim como a paciência, humildade e tantas outras virtudes, ela é conquistada.

No Espiritismo nós costumamos distinguir fé irracional e fé raciocinada.

A fé irracional é a que nós fomos criados para termos. Não tem explicação. Simplesmente temos que ter fé, pq Deus é Pai e pronto.

Mas, com um conceito tão restrito da fé, fica difícil suportar as provas e dificuldades a que somos submetidos diariamente.

Onde está a nossa fé, qdo, na primeira dificuldade, fraquejamos? Ela some num piscar de olhos... simplesmente esquecemos todas as aulas de eucaristia q tivemos qdo crianças e a fé passa então a ser apenas teórica.

Ao contrário, a fé raciocinada parte do pressuposto de que é preciso conhecer, entender os fatos que nos envolvem, o porquê dos acontecimentos... só então conquistaremos uma fé verdadeiramente inabalável. Se não totalmente inabalável, pq ainda somos humanos, e, portanto, imperfeitos, pelo menos, menos suscetível.

Somos espíritos eternos.

A vida assemelha-se a uma peça teatral com vários atos.

A cada ato, novos personagens, com novo figurino, mas representados pelos mesmos atores.

O espírito não morre, só o corpo perece. E o que eu sou hj é resultado do que faço hj e do que fui ontem. Tudo está interligado.

Pensando que a vida acaba com o corpo, a idéia de infinita misericórdia e bondade de Deus cai por terra. Como Deus seria justo e misericordioso se permitisse nascer pobres e ricos? Que justiça é essa q permite tamanha desigualdade? Seria injusto e cruel, se tudo começasse agora, a cada nascimento.

Mas se nos compreendermos como espíritos eternos em busca da evolução espiritual, intelectual e moral, participando dos vários "atos" da grande peça q é a vida, Deus se apresenta então magnânimo em bondade, justiça e sabedoria.

A cada um conforme seu esforço.

Eu planto, eu colho. E não serei condenada ao fogo do inferno se errar. Deus é bom, ele sempre nos dá a chance de participar do próximo ato e do próximo e do próximo e de qtos forem necessários até aprendermos a lição.

A única fatalidade que existe é que fomos criados para ser felizes. Se não somos 100% felizes hj, certamente seremos qdo acertarmos nossos passos. Qdo compreendermos que ninguém pode viver feliz se nosso semelhante está infeliz.

Tudo passa...

O que vivemos hj traz lições preciosas para nosso crescimento. Qdo aprendermos a lição, a dor passará.

Entendendo isso - o que somos, da onde vimos e para onde caminhamos - fica mais fácil ter fé nos momentos de difilculdade.

Isso é a fé raciocinada - entender para crer. Há muitas coisas ainda para serem entendidas, mas devargazinho, a gente chega lá.

Isso é o que eu queria escrever por hj.

Agora, voltando à pergunta do Papa... Deus estava onde sempre esteve, dentro do coração de cada homem e de cada mulher, cravado na consciência. A natureza é perfeita, não existem milagres... Deus não podia então produzir o milagre de se materializar e arrancar a arma da mão do homem. Com certeza, não deve ter faltado apelos para que a guerra não ocorresse. Deus se manifesta através de outros homens... temos o livre arbítrio para agir. Se não ouvimos a voz da consciência que sempre ressoa lá no fundo, nem ouvimos os apelos pela paz, de quem é a culpa? De Deus ou do próprio homem? O homem é livre para agir... mas a lei da natureza nos cobra cada ato nosso.

Era melhor ter perguntado então: "o que andamos fazendo com a inteligência que Deus nos deu???"

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